quinta-feira, 13 de setembro de 2007

8 meses e uma semana

Venho a este cantinho todos os dias. O que tenho para dizer, fica guardado. Escondido. Guardo comigo a esperança do que aquilo que se sente seja mais visível do que o que se escreve, diz ou canta. Tenho fé que assim seja para acalmar este sentimento de estar em falta por não ter dito, não ter cantado, não ter escrito. Digo repetidas vezes que o sinto e isso é sempre mais importante. Ou talvez não seja mas, neste momento, é o possível.

Do Francisco e os 8 meses...
2 dentes que lhe inspiram a maior curiosidade e o fazem andar a investigar os próprios dentes e os alheios, que o fizeram morder o dedo do próprio pé e aprender que não é boa ideia. Que lhe dão um ar de menino crescido e um gozo tremendo a roer pêras, uvas e afins.
Aprendeu a dar beijinhos e para meu orgulho, momentaneamente são um exclusivo meu. Assim, de boca aberta, molhadinhos e com as mãos a agarrarem-me a cara. Para ficar bem perto, bem lambuzada e tão feliz.
Disse mamã. Uma vez. Provavelmente, por acaso e sem relação com a minha pessoa, mas encheu-me a alma. "Mamã". Bem dito. Ao colo do Pai, no escritório. E eu ouvi, da sala. Ouvi porque aquele som conseguiu encher, por momentos, todos os vazios que possam existir. "Mamã..."
Senta-se. Muito direito. E brinca. Muito. Já reconhece e olha em direcção às flores, à luz. E aos passarinhos, à tartaruga, aos anjinhos... Já reconhece porque a Avó é uma boa mestra e ele aprende com todo o mimo com que é inundado.
Não gatinha. Não gosta de estar de bruços. Vê menos do mundo e não quer perder pitada.
Gosta de estar de pé. Em pé. Dar chutos na bola. De telefones, especialmente os nossos. Não gosta quando vibram.
Gosta de banho, de água e de patos. De chaves e campainhas. De torneiras.
Gosta de laréu. De rua. De árvores e nuvens. De carros e muito mais de pessoas. Também gosta de lojas.
Dorme 11h seguidas (não, não é uma provocação). Come de tudo.
Está grandote, com a roupa a fugir, a ficar muito esticada. Com cada vez mais cabelo que arrebita atrás, a prometer uns caracolitos para gaúdio dos avós.
Dorme de lado, como eu. Agarrado ao Sr.José Orelhas Coelho. Destapado e sempre com calor. Ás vezes, abre os olhos, vê-me, sorri e volta a dormir. Nesses dias, sinto que tenho a terminação da lotaria. Sinto que consigo fazer com o que sinto seja, para ele, claro, óbvio. Sinto que consegui dizer-lhe, neste meu teimoso silêncio de contemplação, que o amo, muito, tanto, sempre.
Acho que é feliz. O Pai diz que tem a certeza que é! E muito! E se o Pai diz...

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Acerca de mim

Mau feitio em (des)construção.

Do Francisco

Aos 6 meses:
65,5 cm
6,900 kg
44 cm pe

Um rapazote, cheio de genica, ternurento, que guincha, faz festinhas, e...aprendeu a dar estalinhos com a língua!

Aos 12 meses:
75cm
9,800 kg

Ri, muito, muitas vezes, alto, todo, com um sorriso cheio de dentes.
Adora esfregonas, vassouras, camiões, autocarros, reclames luminosos, telefones.
Mal pode esperar para fazer tudo o que os crescidos fazem.
Balança como um "sempre em pé" entre o independente e o mimoso.
Rapazote, cheio de pressa, para tudo.

Na mesa de cabeceira

  • "Histórias Verdadeiras" - Pedro Paixão
  • "Cem Promessas..." - Mallika Chopra
  • "Poesia Completa - Miguel Torga
  • "Amarse com los Ojos Abiertos" - Jorge Bucay e Silvia Salinas